Alcinópolis, Capital da Arte Rupestre e o potencial do Agroextrativismo Sustentável

Postado por: Danilo Vegini De Matos Matos

O Município de Alcinópolis, Capital Estadual da Arte Rupestre de Mato Grosso do Sul a partir da Lei nº 4306/2012, abriga dezenas de sítios arqueológicos com pinturas e gravuras com mais de 10 mil anos. Também possui grande concentração de sítios catalogados pelo IPHAN, sendo atendido pelo Programa Trilha Rupestre da UFMS.

Este programa institucional da UFMS visa apoiar os municípios de Mato Grosso do Sul, que possuem sítios arqueológicos com arte rupestre, para fomentar a economia local de maneira sustentável, preparar e capacitar a comunidade local para o desenvolvimento sustentável e gerar a circulação de renda através da Bioeconomia associada aos eixos da Trilha Rupestre: Alimentos; Arqueológico; Arquitetura: Arte-Cerâmico; Botânico; Geopaleontológico; Químico-Farmacêutico e Turismo.

Mais informações: https://trilharupestre.ufms.br/eixos-2/

O Eixo Alimentos e o Eixo Botânica estiveram em Alcinópolis para realização do Curso sobre Aproveitamento e Preparações Alimentícias de Frutos do Cerrado com as merendeiras das escolas nos dias 04 e 05 de maio de 2026.

A organização do Curso contou com apoio do Secretário de Educação, Cultura e Esportes, Professor Thierry Porato e das Nutricionistas da Prefeitura Fernanda Canuto da Silveira e Natasha Messias de Morais; do Diretor da Escola Municipal Alcino Carneiro João da Silva Souza. A articulação foi promovida pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômica e de Meio Ambiente pela Marica Izabel de Souza.

Houve apresentação sobre atualizações do Programa Trilha Rupestre pela Técnica administrativa Naiade Valenzuela de Alcântara (Doutoranda em Administração na ESAN/UFMS), assim como a nossa Biodiversidade pela Profa Dra Rosani de Arruda (Inbio/UFMS) e agregação de valor Cadeias Produtivas da Sociobioeconomia pela Profa Dra Raquel Pires Campos (Facfan/UFMS).

Houveram ricos momentos de troca de saberes sobre os frutos nativos, e também uma visita técnica acompanhada pelo Guia da Prefeitura Forquim no Parque Natural Municipal Templo dos Pilares, promovendo o conhecimento e a integração ecológica e patrimonial. Foram encontradas várias espécies frutíferas do bioma Cerrado, como marmelo nativo, marmelinho, croada (também conhecida como coroa de frade), cajuzinho do campo, dentre outras.

 

Com participação ativa das merendeiras e da nutricionista Fernanda foi realizada a “Oficina sobre Preparações Alimentícias com Frutos do Cerrado”, a parir dos ingredientes como castanhas de baru, farinhas de bocaiuva e de jatobá, especiaria de guavira, polpa de pequi e jenipapo colhidos verdes.

 

O pão enriquecido com farinha de jatobá e o bolo de jenipapo azul, são possibilidades de inserção destes frutos na alimentação escolar. A torta de jatobá com frango surpreendeu positivamente e a assim como biscoito salgado de pequi. A maior parte das receitas foram desenvolvidas na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, com apoio de acadêmicos do Curso de Engenharia de Alimentos e equipe de servidores, docentes e técnicos.

A oficina demonstrou o grande potencial desses ingredientes para a alimentação escolar e para a valorização da sociobiodiversidade regional, com diferentes preparos conforme lista a seguir:

  • pão enriquecido com farinha de jatobá; patê de castanha de baru;
  • bolos: azul de jenipapo; de bocaiuva e de chocolate com especiaria de guavira;
  • tortas de jatobá com frango; e de arroz com pequi;
  • biscoito salgado de pequi.; e biscoito de bocaiuva;
  • brigadeiro de castanha de baru;
  • café com especiaria de guavira e chá de especiaria de guavira.

Além de promover alimentação mais diversificada e nutritiva, a iniciativa contribui para fortalecer o uso sustentável dos recursos do Cerrado, incentivar cadeias produtivas locais e aproximar ciência, educação e comunidade.